Gênero, inclusão e acolhimento de pessoas LGBTQIA+ no ambiente de trabalho
O debate foi promovido no INPE, na terça-feira, 9 de junho de 2026. A atividade teve como objetivo promover discussões sobre inclusão e direitos humanos no contexto institucional, fortalecendo o compromisso do INPE com a promoção de ambientes de trabalho mais diversos, seguros e igualitários.
O encontro contou com a participação de Pocas de Medeiros Pires, pessoa não-binária e Analista em Ciência & Tecnologia da COEAM (Coordenação Espacial da Amazônia), que apresentou reflexões sobre diversidade de gênero, inclusão e os desafios enfrentados por pessoas LGBTQIA+ no ambiente de trabalho, abordando a importância da construção de espaços institucionais mais acolhedores, respeitosos e inclusivos.
A proposta da atividade foi iniciar com um alinhamento de conceitos e promover uma roda de conversa dialogada, com espaço para participação ativa do público ao longo da apresentação, favorecendo esclarecimentos, reflexões, troca de experiências e debates sobre diversidade, respeito e convivência no ambiente profissional.
1. Desconstruindo Conceitos: Gênero e Identidade
Para promover o acolhimento, é preciso compreender as terminologias que moldam as experiências vividas. O gênero foi debatido como uma construção social e uma experiência subjetiva, distinguindo-se do sexo atribuído ao nascer:
- Cisgeneridade: Pessoas que se identificam com o gênero designado no nascimento.
- Transgeneridade: Indivíduos cuja identidade de gênero difere daquela atribuída ao nascer, englobando mulheres trans, homens trans e a identidade latino-americana das travestis.
- Não-binaridade: Um conceito “guarda-chuva” para identidades que não se limitam ao binarismo masculino/feminino, como gênero fluido, agênero e bigênero.
É fundamental destacar que a Expressão de Gênero (como a pessoa se apresenta visualmente) é independente da Identidade de Gênero (quem ela é) e da Orientação Sexual (por quem ela sente atração).
2. O Cenário Brasileiro: Conquistas e Legislação
O debate trouxe à tona marcos históricos que posicionam o Brasil em uma trajetória de reparação. A retirada da homossexualidade da lista de doenças e o reconhecimento da união estável foram passos cruciais. Mais recentemente, a permissão para alteração de nome e gênero em documentos e a criminalização da LGBTfobia pelo STF consolidaram o entendimento de que a dignidade da pessoa humana é inegociável e deve ser protegida pelo Estado.
3. A Importância do Debate no Ambiente Laboral
Instituições de pesquisa como o DCTA, o INPE, a AEB e o CEMADEN não são apenas centros de produção de dados, mas espaços de convivência humana. Trazer essas conversas para o ambiente de trabalho é estratégico por três pilares:
- Segurança Psicológica: Cientistas e técnicos que não precisam esconder quem são e dedicam sua energia cognitiva integralmente à inovação e à excelência.
- Justiça Institucional: O serviço público deve refletir a pluralidade da sociedade que atende. Acolher a diversidade é cumprir o princípio constitucional da impessoalidade e dignidade.
- Fortalecimento de Aliados: Debates públicos educam a maioria cis-heteronormativa, transformando colegas em aliados ativos no combate a preconceitos e microagressões.
Avaliação do SindCT: O Compromisso.
Como representantes dos trabalhadores, o SindCT reafirma que a luta por melhores condições de trabalho é indissociável da luta contra a discriminação. O SindCT se fez presente com a participação da Diretora Regla Somoza, que reforçou o compromisso da entidade com a pauta. A chegada de novos servidores, engajados com a pauta, oxigena nossas instituições e nos lembra que o “ajustar das velas” para a inclusão é o único caminho para uma ciência brasileira que seja, de fato, para todas as pessoas.






