Lula responde às dez questões da comunidade científica apresentadas pelo Observatório das Eleições 2026
Lula responde às dez questões da comunidade científica apresentadas pelo Observatório das Eleições 2026

Lula responde às dez questões da comunidade científica apresentadas pelo Observatório das Eleições 2026

Os dois candidatos à Presidência da República receberam o mesmo convite, as mesmas perguntas e tiveram prazo idêntico para manifestação; até as 23h59 de 15 de outubro, apenas Luiz Inácio Lula da Silva havia enviado suas respostas, agora publicadas na íntegra

O Observatório das Eleições 2026, iniciativa da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e outras instituições científicas, divulga as respostas do candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva às dez questões formuladas pela comunidade científica.

A ação integra a campanha “A Ciência Pergunta. O Brasil Decide.”, lançada pelo Observatório neste segundo turno para promover um debate eleitoral qualificado, saudável e propositivo, centrado em políticas públicas fundamentadas em evidências científicas.

As candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro foram contatadas pela equipe da SBPC e receberam, na mesma data, o convite e as perguntas, sob condições idênticas e com o mesmo prazo para manifestação. Até o encerramento do prazo estabelecido, às 23h59 de 15 de outubro, apenas a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva havia encaminhado suas respostas, que são publicadas na íntegra, conforme as regras da iniciativa.

Tanto as perguntas apresentadas pelas pesquisadoras e pelos pesquisadores quanto as respostas recebidas estão disponíveis na íntegra no site do Observatório das Eleições 2026, garantindo transparência e amplo acesso da sociedade ao conteúdo.

AS DEZ QUESTÕES DA COMUNIDADE CIENTÍFICA

ENCAMINHADAS PELA SBPC E ABC AO CANDIDATO LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Em atenção ao Ofício Conjunto SBPC/ABC nº 240/2026, de 9 de outubro de 2026, encaminhado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), apresentamos nossas respostas às dez questões formuladas pela comunidade científica brasileira, resultado de um amplo processo de escuta de pesquisadores e pesquisadoras de todas as regiões do país.

Recebemos essa iniciativa com especial consideração, não apenas pela importância das instituições que a promovem, mas porque reconhecemos na comunidade científica uma parceira indispensável à construção do Brasil que queremos. O diálogo com as universidades, os institutos de pesquisa e as entidades científicas sempre esteve presente em nosso projeto de desenvolvimento e continuará orientando a formulação e o aperfeiçoamento das políticas públicas.

Vivemos um período de profundas mudanças na economia e na política internacional, em que as disputas pelo domínio de tecnologias, recursos estratégicos e cadeias produtivas tornam ainda mais importante a defesa da soberania nacional. Para o Brasil, soberania significa preservar a autonomia para decidir seus caminhos, proteger seus interesses e estabelecer relações de cooperação com outros países sem abrir mão de desenvolver suas próprias capacidades científicas, tecnológicas e industriais.

Essa compreensão de soberania alcança diferentes dimensões da vida nacional, da saúde à segurança alimentar, da energia à economia digital, da defesa do meio ambiente ao fortalecimento da democracia. Em todas elas, a ciência, a tecnologia e a inovação desempenham um papel decisivo. Nosso compromisso é continuar fortalecendo as instituições de ensino e pesquisa, ampliando os investimentos em conhecimento e inovação e criando condições para que os resultados desse esforço se traduzam em capacidade produtiva, empregos qualificados, redução das desigualdades e melhores condições de vida para a população.

É com essa perspectiva que apresentamos os compromissos, metas e instrumentos previstos para o próximo período, reafirmando nossa disposição de manter um diálogo permanente com a comunidade científica e de fazer do conhecimento uma das bases do desenvolvimento soberano, democrático e socialmente justo do Brasil.

1. Soberania e o Brasil no mundo

Pergunta da SBPC e ABC: Como seu governo defenderá os interesses nacionais diante das disputas tecnológica, econômica e geopolítica entre as grandes potências, e qual papel pretende que o Brasil exerça na América Latina e no cenário internacional?

Resposta — Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Defender a soberania nacional e o multilateralismo, assegurando ao Brasil uma política externa independente, com autonomia para decidir seus próprios caminhos, sem subordinação aos interesses de outras potências nem alinhamentos automáticos. Dar continuidade às iniciativas já em curso, como a NIB e a Estratégia Nacional de CT&I (ENCTI), ampliando a capacidade científica, tecnológica, industrial e de defesa do país, proteger seus recursos estratégicos e reduzir dependências externas, ampliando a cooperação com a América Latina, África, os BRICS e o Sul Global, com parcerias baseadas no respeito mútuo e na reciprocidade.

b) Meta: Seguir elevando o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento, com participação crescente do setor privado, e ampliar o domínio nacional de tecnologias críticas, especialmente em inteligência artificial, semicondutores, saúde, defesa e transição energética.

c) Instrumento: Além de recursos orçamentários, fortalecimento do FNDCT, da Finep e do BNDES para apoio à NIB, à Base Industrial de Defesa e à política externa brasileira. No âmbito da NIB, FINEP e BNDES apoiaram com mais de R$ 100 bilhões projetos de inovação, valor mais de 420% superior ao registrado nos quatro anos anteriores.. Ampliação de acordos de cooperação científica, transferência tecnológica e integração produtiva regional, no Mercosul e na OTCA.

d) Prazo: 2027–2030, com prioridades, indicadores e mecanismos de acompanhamento definidos no primeiro ano.

e) Financiamento: Manteremos e ampliaremos os recursos do FNDCT, assegurando sua utilização integral, sem contingenciamentos, e reforçaremos a atuação do BNDES, do BNB e dos demais bancos públicos no financiamento à inovação e à indústria, assim como o apoio à Embrapii. Além disso, fortaleceremos a integração entre as agências e bancos federais e as estaduais dando capilaridade para o uso dos recursos.

f) Campo livre: Entre 2023 e 2026, recuperamos instrumentos de política pública fundamentais para fortalecer a indústria, enfrentar desafios internacionais e ampliar nossas capacidades tecnológicas. Com a NIB serão alocados mais de R$ 860 bilhões para a indústria nacional investir em inovação, descarbonização, exportação e ganho de produtividade.

Além disso, o Brasil recuperou, nos últimos anos, sua presença e sua capacidade de diálogo no cenário internacional. Vamos transformar esse protagonismo em resultados concretos para o desenvolvimento nacional.

Num mundo marcado por intensas disputas geopolíticas, tecnológicas e comerciais, não basta participar das decisões internacionais. É preciso assegurar que nossa inserção no mundo contribua para gerar empregos, fortalecer a indústria, produzir conhecimento, melhorar a qualidade de vida da população e ampliar a capacidade do país de decidir seu futuro. Para aprofundar esse esforço, manteremos o financiamento à pesquisa e à inovação e a atuação estratégica do FNDCT, da Finep e do BNDES.

Vamos fortalecer a base científica e industrial brasileira, ampliando a capacidade de planejamento e investimento do Estado, combinando recursos públicos com a mobilização do setor privado, a formação de profissionais qualificados e sua inserção no mercado, além da cooperação internacional. A autonomia nacional também depende da defesa cibernética e da proteção das infraestruturas críticas.

Essas capacidades tornam-se ainda mais importantes diante das disputas internacionais por cadeias de suprimento. A proteção dessas capacidades inclui inteligência de Estado de caráter civil, submetida ao controle democrático, diante de ameaças geopolíticas, tecnológicas e cibernéticas.

Queremos uma América Latina mais integrada, com o Mercosul como principal plataforma de integração, projetos científicos e tecnológicos conjuntos, cadeias produtivas regionais e um mercado comum sul-americano de energia. Na Amazônia, fortaleceremos a OTCA em bioeconomia, ciência e combate às atividades ilegais. A cooperação com a África, os BRICS e os demais países do Sul Global devem ampliar nossas capacidades nacionais, sem prejuízo do diálogo e das parcerias com todas as nações.

O Brasil continuará defendendo a reforma do Conselho de Segurança da ONU, do FMI e do Banco Mundial, o respeito ao direito internacional e a solução pacífica dos conflitos. Queremos exercer um papel ativo nas agendas de desenvolvimento sustentável, segurança alimentar, saúde, educação, transição energética e governança da inteligência artificial, fazendo da política externa um instrumento de defesa da soberania e de melhoria das condições de vida do povo brasileiro.

Questão 2 — Democracia, informação e segurança

Pergunta da SBPC e ABC: Quais políticas serão adotadas para fortalecer as instituições democráticas, enfrentar a desinformação e a violência política e construir políticas de segurança pública baseadas em evidências e nos direitos constitucionais? E quais medidas garantirão a autonomia universitária e a proteção de instituições de ensino e pesquisa, de seus servidores e de pesquisadores contra ameaça, intimidação e violência?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Fortalecer as instituições democráticas, combater a desinformação e a violência política, assegurar a liberdade de expressão e garantir a autonomia universitária e a liberdade acadêmica. Garantir a segurança cidadã baseada em evidências, que combine prevenção, investigação qualificada, asfixia financeira do crime organizado e respeito aos direitos constitucionais, protegendo também as instituições de ensino e pesquisa e seus pesquisadores.

b) Meta: Até 2030, instituir mecanismos de proteção à comunidade científica, ampliar a autonomia de gestão das universidades federais com previsibilidade orçamentária e regularidade dos repasses, bem como reduzir a violência, particularmente a de caráter racial e de gênero, com metas pactuadas com Estados e Municípios.

c) Instrumento: Integração de dados e inteligência; avaliação científica das políticas; regulação democrática das plataformas digitais, da IA e da educação midiática. Protocolos de proteção a pesquisadores e aperfeiçoamento do marco legal da autonomia universitária, incluindo gestão de recursos próprios, escolha de dirigentes e respeito aos colegiados.

d) Prazo: 2027–2030, com propostas normativas, mecanismos de proteção e definição dos indicadores apresentados no primeiro ano.

e) Financiamento: Orçamento federal, recursos da educação e da CT&I, Fundo Nacional de Segurança Pública e cooperação federativa, preservado o financiamento público das universidades.

f) Campo livre: O Brasil conhece o custo de viver sob ameaças à democracia, à liberdade de pensamento e ao funcionamento de suas instituições. A democracia não se defende apenas nos momentos de crise, ela precisa ser fortalecida todos os dias, com respeito à Constituição, garantia de direitos, liberdade para produzir conhecimento e um Estado capaz de proteger a população.

A disseminação deliberada de informações falsas, os ataques às instituições e a intimidação de pesquisadores comprometem o debate público. Enfrentar esses problemas exige regulação democrática das plataformas digitais, responsabilização por práticas ilícitas, transparência em seu funcionamento, educação midiática e valorização da comunicação pública da C&T, sempre com respeito à liberdade de expressão.

Na segurança pública, a aprovação da PEC da Segurança permitirá criar o Ministério da Segurança Pública e coordenar União, estados e municípios no SUSP. Combinaremos integração de dados entre os entes federativos e o enfrentamento dos fluxos financeiros associados às organizações criminosas, controle de armas e prevenção da violência, com presença do poder público nos territórios mais vulneráveis e avaliação dos resultados com base em evidências.

As universidades e instituições de pesquisa são fundamentais para a democracia e para o desenvolvimento do País. Sua autonomia exige financiamento público estável, regularidade dos repasses e condições para planejar investimentos, administrar recursos próprios e organizar seus quadros. Defenderemos as escolhas das comunidades acadêmicas, as decisões dos colegiados e a liberdade de cátedra, para que professores, estudantes, técnicos e pesquisadores trabalhem sem censura, perseguição ou intimidação.

Proteger a universidade e a comunidade científica é proteger a própria democracia.

Questão 3 — Desigualdades e desenvolvimento regional

Pergunta da SBPC e ABC: Quais metas serão adotadas para reduzir desigualdades sociais, raciais, de gênero e regionais e desconcentrar as capacidades científicas, tecnológicas e produtivas do País? Qual o compromisso do seu governo com as políticas de cotas e com a assistência estudantil que garante permanência?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Reduzir as desigualdades sociais, raciais, de gênero e regionais, ampliando o acesso à educação pública, à ciência, à tecnologia e ao trabalho qualificado. Apoiaremos iniciativas de tecnologias sociais e economia solidária, daremos continuidade à expansão e à interiorização das universidades e dos Institutos Federais, desconcentrar os investimentos em pesquisa e inovação e fortalecer as políticas de cotas e assistência estudantil, criando oportunidades de formação e desenvolvimento nos próprios territórios.

b) Meta: Até 2030, ampliar a oferta de educação superior e profissional nas regiões menos atendidas, reduzir as desigualdades regionais nos investimentos em CT&I e melhorar os indicadores de acesso, permanência e conclusão dos estudos, com metas regionais e acompanhamento público dos resultados.

c) Instrumento: Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional, os fundos constitucionais de financiamento, os consórcios públicos e os arranjos regionais de planejamento e governança. Articulação entre os ministérios responsáveis, com utilização da Lei de Cotas, do PNAES, da expansão da rede federal, universidade indígena, Pé-de-Meia universitário para estudantes cotistas e inscritos no Cadastro Único, CNPq, Capes, FNDCT, Finep, BNDES, Nova Indústria Brasil, Plano Nacional de CT&I e parcerias com as Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa, articulando formação profissional, infraestrutura científica e desenvolvimento produtivo regional.

d) Prazo: 2027–2030, com definição das metas regionais e implantação progressiva das novas medidas a partir de 2027.

e) Financiamento: Orçamentos federais da educação e da CT&I, Novo PAC, FNDCT, Finep, BNDES, recursos estaduais e investimentos privados.

f) Campo livre: O lugar onde uma criança nasce não pode determinar até onde ela terá condições de estudar, trabalhar e realizar seus sonhos. Durante muito tempo, o acesso à universidade, à pesquisa científica e às melhores oportunidades de formação ficou concentrado em poucas regiões e grupos sociais. Nosso compromisso é continuar mudando essa realidade, levando educação pública de qualidade, ciência, tecnologia e oportunidades de desenvolvimento para todo o Brasil.

A expansão e a interiorização das universidades e dos Institutos Federais, com prioridade para os vazios educacionais, as periferias urbanas e o interior, devem ser acompanhadas de investimentos em laboratórios, centros de pesquisa e ambientes de inovação, para que os profissionais formados desenvolvam suas carreiras nos próprios territórios.

As políticas de cotas mudaram a realidade das universidades brasileiras, permitindo que milhares de jovens antes excluídos chegassem ao ensino superior. Mas conquistar uma vaga não resolve todas as dificuldades de quem precisa estudar e ajudar no sustento da família. Por isso, fortaleceremos a assistência estudantil e propomos criar um Pé-de-Meia universitário para estudantes cotistas e inscritos no Cadastro Único, ampliando suas condições de permanência e conclusão dos estudos.

Essa inclusão deve alcançar a pós-graduação e as carreiras científicas, ampliando as oportunidades para mulheres, negros, indígenas, quilombolas e outros grupos historicamente sub-representados. A criação da Universidade Indígena é parte desse compromisso. A diversidade precisa estar presente também entre aqueles que produzem conhecimento e decidem os rumos da ciência brasileira.

A desconcentração dos investimentos em ciência e inovação, com prioridade na pós-graduação para áreas e localidades menos atendidas, deve valorizar as vocações de cada região e a cooperação entre universidades, instituições de pesquisa, empresas, governos estaduais e cidades médias como polos regionais de inovação e serviços.

Questão 4 — Ciência e educação

Pergunta da SBPC e ABC: Quais metas seu governo assume para ampliar o investimento brasileiro em pesquisa e desenvolvimento, fortalecer o FNDCT, as universidades, os institutos de pesquisa e a educação pública, e formar as novas gerações de cientistas?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Manteremos a educação e a ciência, tecnologia e inovação como prioridades, dando continuidade à expansão das universidades e dos institutos federais e à recuperação do financiamento científico. Nesse sentido, vamos aumentar os recursos orçamentários, preservar e ampliar os recursos do FNDCT e aprimorar sua distribuição, fortalecer a Finep, CNPq e Capes, valorizar universidades, institutos de pesquisa e seus profissionais e ampliar as oportunidades de formar bem e empregar novas gerações de profissionais desde a educação básica. Vamos levar em conta as propostas e sugestões emanadas da V CNCTI e manteremos um diálogo permanente com a comunidade científica.

b) Meta: Elevar o investimento nacional, ampliando recursos para pesquisa, bolsas, infraestrutura, formação de pesquisadores. Na educação básica, cumprir as metas do PNE 2026-2036, expansão do tempo integral e conectividade em escolas. Aprimorar a educação científica e matemática nas escolas públicas.

c) Instrumento: Ministérios envolvidos; universidades públicas e institutos federais; fortalecimento da Finep, CNPq e Capes; programa de atração e fixação de pesquisadores; cooperação com as FAPs; Fundeb, Pé-de-Meia e apoio às licenciaturas; avaliação e correção permanentes das políticas executadas.

d) Prazo: 2027–2030, com programação plurianual de investimentos, metas de capacitação científica e acompanhamento anual dos resultados.

e) Financiamento: orçamento da educação e da CT&I e de áreas conexas, recursos integrais do FNDCT, Fundeb, instrumentos da Finep e do BNDES, cooperação com os estados, novas fontes de financiamento e investimentos privados em P&D.

f) Campo livre: Educação e ciência são pilares básicos do desenvolvimento social e econômico. Por isto, recursos para a educação e a ciência não são gastos, mas investimento, como costuma dizer o presidente Lula. A capacidade de um país produzir conhecimento, formar pesquisadores e desenvolver suas próprias tecnologias não se constrói em poucos anos, nem pode depender de oscilações orçamentárias.

Exige continuidade, instituições fortalecidas e uma política de financiamento capaz de ir da pesquisa básica até o desenvolvimento tecnológico e a inovação nas empresas.

A recuperação dos recursos do FNDCT mudou as condições de financiamento da pesquisa brasileira. Vamos preservar essa conquista e assegurar a plena execução do Fundo, inclusive do apoio não reembolsável, com tratamento orçamentário adequado aos investimentos estratégicos em CT&I. A Finep, como Secretaria Executiva do FNDCT, continuará a ter papel central na articulação dos instrumentos e no acompanhamento de projetos de longo prazo e alto risco, respeitada a governança do Conselho Diretor.

Formar bem as novas gerações, inclusive de cientistas, começa na escola com alfabetização na idade certa, tempo integral, condições de trabalho, formação adequada e valorização salarial dos professores. Essa formação prossegue nas universidades e nos institutos, passando pela iniciação científica e à docência, pela extensão e pela pós-graduação, e exige laboratórios bem equipados. As atividades de PG constituem um importante trabalho científico e suas bolsas devem ser reajustadas adequada e regularmente. São necessárias condições para que jovens pesquisadores construam suas carreiras no Brasil, enfrentando a evasão de talentos e as desigualdades regionais, raciais e de gênero.

Queremos que os investimentos fortaleçam a educação pública, a pesquisa básica, a inovação e a capacidade brasileira de enfrentar seus desafios sociais, ambientais e produtivos. Preservar essas condições é indispensável para que o Brasil produza conhecimento, desenvolva tecnologias próprias e participe das transformações internacionais com maior autonomia.

Questão 5 — Saúde e SUS

Pergunta da SBPC e ABC: Como fortalecerá o SUS e a capacidade brasileira de pesquisar e produzir medicamentos, vacinas, equipamentos e tecnologias essenciais?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Fortalecer o SUS público, universal e equitativo, ampliando o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento e reduzindo as desigualdades regionais. Consolidar o Brasil como um dos grandes produtores de vacinas, medicamentos, novas moléculas, produtos biológicos e equipamentos de diagnóstico, por meio do desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Consolidar a soberania sanitária brasileira por meio do desenvolvimento científico, tecnológico e industrial, ampliando a produção nacional e o domínio de tecnologias essenciais e reduzindo a dependência externa de medicamentos, vacinas, insumos e equipamentos estratégicos.

b) Meta: Até 2030, ampliar o acesso à atenção especializada, reduzir os tempos de espera por consultas, exames e tratamentos e fortalecer a capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias essenciais ao SUS, avançando na direção da meta da Nova Indústria Brasil de atender, com produção nacional, grande parte das necessidades do país até 2033.

c) Instrumento: Fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, com Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), Programas de Desenvolvimento e Inovação Local (PDILs), encomendas tecnológicas, compras públicas estratégicas e financiamento à inovação. Articulação entre SUS, universidades, institutos de pesquisa, empresas nacionais, Anvisa. Agora tem Especialistas, Mais Médicos, Farmácia Popular e saúde digital, com fila integrada por risco clínico.

d) Prazo: 2027–2030, com prioridades e indicadores definidos no primeiro ano, acompanhamento anual e continuidade das ações até 2033.

e) Financiamento: Orçamento do SUS e do MS que não serão cortados, Novo PAC, recursos do FNDCT, instrumentos da Finep e do BNDES e investimentos públicos e privados em pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias em saúde.

f) Campo livre: O SUS público e universal precisa estar apoiado em uma base nacional de pesquisa, produção e inovação, capaz de gerar empregos qualificados e ampliar o acesso à saúde. Temos o compromisso com a população e aprendemos com a pandemia que a omissão do Estado pode levar à morte de cidadãos, mas que o SUS foi fundamental para ajudar a sociedade a superá-la. A consolidação do SUS como sistema público e universal exige mais do que ampliar a oferta de serviços. É necessário assegurar que o Brasil disponha de capacidade científica, tecnológica e produtiva para atender às necessidades de saúde de sua população, reduzindo vulnerabilidades externas e fortalecendo sua capacidade de resposta a emergências sanitárias. A experiência recente demonstrou a importância de produzir no país medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos essenciais. No período de 2023 a agosto de 2026, o BNDES e FINEP investiram mais de R$ 18 bi para inovação no setor de saúde, isso é 110% maior que o período dos quatro anos anteriores.

Nosso compromisso é consolidar o Complexo Econômico-Industrial da Saúde como política de Estado, articulando as necessidades do SUS à pesquisa realizada nas universidades, nos institutos científicos, nos laboratórios públicos e nas empresas. A meta da Nova Indústria Brasil de atender, com produção nacional, a 70% das necessidades do país até 2033 orientará esse esforço.

Reduzir a dependência externa significa dominar tecnologias, e não apenas fabricar no país produtos desenvolvidos fora. O poder de compra do SUS deve estimular investimentos, transferência efetiva de conhecimento e inovação. É fundamental o aperfeiçoamento das parcerias para o Desenvolvimento Produtivo.

Retomaremos a produção nacional de insulina, concluiremos a fábrica da Hemobrás e ampliaremos o sequenciamento genômico e a pesquisa de insumos farmacêuticos a partir da biodiversidade, inclusive amazônica. O Reator Multipropósito Brasileiro ampliará a produção de radioisótopos para a medicina nuclear. Também fortaleceremos a capacidade regulatória da Anvisa e o desenvolvimento de tecnologias digitais de saúde, com proteção dos dados pessoais e avaliação de segurança e eficácia.

Esse esforço precisa chegar à população, com mais médicos onde faltam profissionais, medicamentos gratuitos, vacinação nas escolas e menor espera por atendimento especializado, com apoio da inteligência artificial na regulação por gravidade. O SUS também precisa se preparar para as mudanças climáticas, com vigilância em saúde capaz de antecipar ondas de calor, surtos de dengue e outras doenças sensíveis ao clima.

Soberania sanitária não significa isolamento, mas capacidade de responder às necessidades da população, cooperar internacionalmente e participar do desenvolvimento das tecnologias que determinarão o futuro da medicina.

Questão 6 — Clima e biodiversidade

Pergunta da SBPC e ABC: Quais medidas seu governo adotará para preparar as cidades, a agricultura, a infraestrutura e a população para eventos climáticos extremos e, simultaneamente, proteger os biomas brasileiros?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Reduzir as emissões líquidas rumo à neutralidade climática, bem como, alcançar o desmatamento líquido zero. Incorporar a adaptação ao planejamento das cidades, da agricultura e da infraestrutura, protegendo primeiro os mais vulneráveis, e buscar cumprir as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, conservando todos os biomas.

b) Meta: Continuaremos trabalhando para redução do desmatamento, a recuperação da vegetação nativa, conservação da Amazônia e demais biomas e da zona costeira e marinha, restauração das áreas degradadas de cada bioma. Vamos investir nos planos de adaptação nos municípios do AdaptaCidades, que reúnem mais de 50 milhões de pessoas. Daremos atenção à conservação dos parques nacionais e das Reservas Particulares do Patrimônio Natural, considerando sua relação com o desenvolvimento territorial sustentável.

c) Instrumento: Plano Clima, com 8 planos de mitigação e 16 de adaptação; planos de controle do desmatamento por bioma; Planaveg 2025–2028; EPANB 2025–2030; Manejo Integrado do Fogo; AdaptaCidades; Cemaden, INPE e Defesa Civil; resiliência climática no campo com a Embrapa.

d) Prazo: 2027–2030 para redução do desmatamento, restauração e conservação da biodiversidade, metas de adaptação pactuadas e compromissos climáticos até 2035 e 2050.

e) Financiamento: Fundo Clima, Fundo Amazônia, TFFF, Eco Invest, Novo PAC, FNDCT, Finep, BNDES e estratégia nacional de financiamento da biodiversidade, com recursos estáveis para prevenção de desastres e adaptação.

f) Campo livre: A agenda climática voltou ao centro das nossas políticas públicas e da atuação internacional brasileira, como demonstrou a realização da COP30 no país. Um exemplo claro foi a queda de 60% no desmatamento na Amazônia e de 12% no Cerrado em maio de 2026, na comparação com maio de 2025.

Enchentes, secas prolongadas, ondas de calor e incêndios já ameaçam vidas, cidades, a produção de alimentos e o abastecimento de água, e atingem com mais força quem tem menos recursos para se proteger. Enfrentar a emergência climática é também reduzir desigualdades.

O Plano Clima, aprovado em 2025, organiza essa resposta até 2035, com planos de adaptação que incluem cidades, saúde, recursos hídricos, agricultura e gestão de riscos e desastres. Os desastres não podem ser tratados como exceção.

A prevenção deve orientar o planejamento urbano, a habitação, o saneamento e a infraestrutura, com contenção de encostas, drenagem, infraestrutura verde, planos contra o calor extremo e uma Defesa Civil fortalecida. Os alertas do Cemaden e do INPE precisam chegar a tempo, pelo celular, a cada morador de área de risco.

No campo, a Embrapa, os institutos de pesquisa e as universidades apoiarão irrigação, conservação do solo, integração lavoura-pecuária-floresta, recuperação de pastagens e seguro rural, protegendo a produção de alimentos. No Semiárido, combateremos a desertificação e restauraremos a Caatinga.

A segurança climática depende de ecossistemas íntegros. No Marco de Kunming-Montreal, reafirmado na COP16, em Cali, o Brasil assumiu deter a perda de biodiversidade, com repartição de benefícios e reconhecimento dos povos indígenas, afrodescendentes e comunidades locais. A Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANB) traduz esse compromisso em metas nacionais, e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) mobiliza a recuperação de milhões de hectares, incluindo a restauração biocultural, que une ciência e saberes tradicionais.

Cada bioma exige políticas próprias, que combinem combate ao desmatamento, restauração e bioeconomia com renda para as comunidades. Proteger a natureza e preparar o país para o clima são partes do mesmo projeto de desenvolvimento.

Questão 7 — Inteligência artificial e soberania digital

Pergunta da SBPC e ABC: Que medidas adotará para que o Brasil desenvolva capacidade própria em inteligência artificial, infraestrutura computacional, dados e tecnologias digitais estratégicas, protegendo direitos e a soberania nacional?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Queremos que o Brasil tenha presença relevante no desenvolvimento de tecnologias digitais. Nossa oferta de energia limpa pode apoiar essa estratégia, mas não queremos nos limitar a fornecer energia para centros de dados: precisamos desenvolver tecnologias, equipamentos e competências no país, gerando empregos qualificados e oportunidades para nossos pesquisadores. Nesse sentido, vamos assegurar que o Brasil desenvolva capacidade própria de pesquisar, produzir, operar e governar tecnologias de inteligência artificial, reduzindo dependências externas e preservando sua autonomia sobre dados e infraestruturas digitais estratégicas. Fortalecer a pesquisa científica, a indústria nacional, a formação de profissionais e o desenvolvimento de modelos brasileiros de IA em língua portuguesa, assegurando transparência, proteção dos direitos fundamentais e respeito à diversidade da sociedade brasileira.

b) Meta: O governo se compromete a garantir a soberania digital, para que o Brasil tenha capacidade de desenvolver, operar, regular e governar tecnologias estratégicas e as infraestruturas críticas de que dependem a economia, os serviços públicos, a ciência, a defesa e a democracia. Assegurar a continuidade da execução do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), a ampliação da infraestrutura computacional nacional, o desenvolvimento de modelos brasileiros de IA e a formação de pesquisadores e profissionais especializados, inclusive por meio de programas de cooperação científica internacional e formação avançada.

c) Instrumento: PBIA, fortalecimento da RNP, do LNCC, das universidades e dos institutos de pesquisa, supercomputação pública, plataforma nacional de dados, data centers com eficiência energética e fontes renováveis, apoio ao software nacional e às tecnologias abertas, compras públicas inovadoras, formação profissional e regulação da IA proporcional aos riscos.

d) Prazo: Execução do PBIA e ampliação das capacidades científicas, tecnológicas e industriais brasileiras no período 2027–2030. Metas da NIB até 2033.

e) Financiamento: Recursos previstos no PBIA, incluindo FNDCT, Finep, BNDES, orçamento federal e investimentos empresariais, com contrapartidas de desenvolvimento tecnológico, formação profissional e fortalecimento das capacidades nacionais.

f) Campo livre: No governo Lula temos procurado apoiar o desenvolvimento de IA de forma contínua em diferentes frentes. Esse apoio abrange a digitalização dos serviços públicos e das empresas, além do desenvolvimento de novas aplicações tecnológicas. Apoiamos o desenvolvimento e incorporação de IA no setor industrial nacional, por exemplo, BNDES, FINEP e Embrapii fomentaram mais de R$ 14 bilhões para projetos de IA. A inteligência artificial está transformando a produção, os serviços públicos, a pesquisa científica e as relações econômicas entre os países. O Brasil precisa participar dessa transformação como produtor de conhecimento e tecnologia, e não apenas como consumidor de soluções desenvolvidas no exterior. Nossa estratégia será combinar o fortalecimento das capacidades nacionais com a cooperação internacional, preservando a autonomia para definir prioridades e proteger os interesses da sociedade brasileira.

A soberania digital não se resume à regulação ou à proteção de dados, pois depende também de uma base material e computacional própria, com capacidade de desenvolver semicondutores, materiais avançados, computação de alto desempenho e tecnologias quânticas, integrando essas competências a cadeias produtivas de maior valor agregado.

O fortalecimento do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação deverá conectar pesquisa, indústria e sociedade, formando profissionais e ampliando oportunidades em todas as regiões. O Estado terá papel indutor do investimento em pesquisa e desenvolvimento, especialmente em áreas de fronteira como inteligência artificial, robótica, computação quântica, novos materiais e tecnologias aeroespaciais e nucleares.

Vamos ampliar a capacidade nacional de processamento e armazenamento seguro de dados, criar uma plataforma nacional de dados, desenvolver modelos de IA em língua portuguesa que reflitam nossa diversidade e fortalecer a indústria brasileira de software, usando o poder de compra do Estado para estimular competências duradouras.

A expansão dos data centers deverá considerar seus impactos sobre energia, água e comunidades, priorizando eficiência e fontes renováveis, e contribuir para o desenvolvimento regional e o fortalecimento de fornecedores nacionais.

Daremos atenção especial à formação em inteligência artificial, ciência de dados e computação avançada, com cooperação internacional que amplie competências desenvolvidas e aplicadas no Brasil. Os sistemas de IA, especialmente os utilizados pelo poder público, deverão respeitar os direitos fundamentais, prevenir discriminações e estar sujeitos a controles proporcionais aos riscos. O Brasil também atuará na construção das regras internacionais para a IA.

O desafio não é escolher entre inovação e proteção de direitos, mas fazer com que avancem juntas, ampliando o acesso ao conhecimento, melhorando os serviços públicos e criando trabalho qualificado.

Questão 8 — Indústria, inovação e trabalho

Pergunta da SBPC e ABC: Como a ciência e a inovação serão utilizadas para aumentar a produtividade, reindustrializar o Brasil, gerar empresas e empregos qualificados e preparar trabalhadores para as transformações tecnológicas?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Manteremos a Nova Indústria Brasil como eixo da reindustrialização, articulando ciência, inovação, produtividade, sustentabilidade, descarbonização, exportações e empregos qualificados, com apoio dos bancos públicos e das instituições de fomento. Fortalecer a reindustrialização brasileira com base na ciência, na inovação e na sustentabilidade, ampliando a produtividade, a competitividade e a agregação de valor à produção nacional. Estimular o investimento empresarial em pesquisa e desenvolvimento, a criação de empresas inovadoras e a geração de empregos qualificados, assegurando que os avanços tecnológicos contribuam para elevar a renda, valorizar o trabalho e reduzir desigualdades.

b) Meta: Até 2030, ampliar o investimento empresarial em P&D, a incorporação de tecnologias avançadas à produção, a produtividade industrial e a geração de empresas e empregos qualificados. Expandir a formação e a requalificação profissional, com indicadores de inovação, produtividade, emprego e proteção dos trabalhadores afetados pelas transformações tecnológicas.

c) Instrumento: Manutenção e ampliação da Nova Indústria Brasil, Plano Mais Produção, FNDCT, Finep, BNDES, Embrapii, BNB e BASA com articulação de crédito, subvenção econômica, capital, encomendas tecnológicas, bônus tecnológico e poder de compra do Estado como instrumentos previstos no Marco Legal de CT&I. Fortalecer a cooperação entre empresas e instituições científicas, apoio às empresas de base tecnológica e ampliação dos programas de educação profissional, qualificação e requalificação, inclusive por meio da rede SINE.

d) Prazo: 2027–2030, com metas setoriais definidas e acompanhamento dos investimentos, da produtividade, da inovação e dos efeitos das novas tecnologias sobre o emprego.

e) Financiamento: Manutenção e ampliação do FNDCT, Finep, BNDES, orçamento federal, incentivos à inovação e investimentos privados, com contrapartidas de desenvolvimento tecnológico no Brasil, formação profissional, cooperação com instituições científicas e geração de empregos qualificados. Exigência de conteúdo local e de programas de desenvolvimento de fornecedores nacionais como contrapartida ao financiamento em condições mais favoráveis pelo BNDES e pela Finep.

f) Campo livre: A reindustrialização brasileira não se resume a recuperar capacidades produtivas perdidas. Precisamos de uma indústria capaz de incorporar conhecimento, desenvolver tecnologias e participar das cadeias de maior valor agregado, com política industrial articulada à pesquisa científica, à formação de profissionais e ao investimento empresarial em inovação. A retomada da política industrial, com a recriação do MDIC e do CNDI e o fortalecimento dos instrumentos públicos de financiamento, permitiu recolocar a inovação e a produção nacional no centro da agenda de desenvolvimento.

O Brasil precisa superar uma dificuldade histórica, a dificuldade de transformar conhecimento em tecnologias, produtos e processos em escala industrial. Articularemos os instrumentos públicos de acordo com os riscos e a maturidade tecnológica dos projetos, combinando recursos não reembolsáveis, subvenção, crédito, garantias e capital, e fortaleceremos a demonstração tecnológica e a primeira adoção de soluções inovadoras.

A NIB deverá estimular investimentos empresariais em P&D com contrapartidas de capacitação tecnológica, produção nacional e empregos qualificados, além de apoiar empresas de base tecnológica que transformam resultados da pesquisa em atividades produtivas.

A modernização tecnológica precisa caminhar junto com a valorização do trabalho, sem competitividade baseada em baixos salários e precarização. Por isso, defendemos o fim da escala 6×1, com redução da jornada para 40 horas sem redução salarial, a regulação do trabalho por plataformas e o cumprimento dos direitos constitucionais dos trabalhadores. A inteligência artificial e a automação exigirão educação profissional e requalificação permanentes.

É importante acentuar que a ciência e a inovação são também fatores importantes de desenvolvimento social, em particular com o apoio das ciências humanas e sociais e as atividades de divulgação da ciência, economia solidária e tecnologias sociais.

Aproximaremos a formação profissional das necessidades produtivas de cada região, fortalecendo os institutos federais e as universidades e assegurando proteção e reinserção aos trabalhadores cujas atividades forem transformadas.

Nossa estratégia é construir uma economia mais produtiva e socialmente inclusiva, na qual os ganhos da inovação sejam compartilhados por toda a sociedade.

Questão 9 — Energia e recursos estratégicos

Pergunta da SBPC e ABC: Como o Brasil transformará sua riqueza energética e mineral em conhecimento, tecnologia, indústria e desenvolvimento nacional, garantindo maior agregação de valor e evitando a exportação de recursos estratégicos sem o devido processamento no país?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Assegurar que as riquezas energéticas e minerais brasileiras contribuam para a soberania nacional, a transição energética e a industrialização do país, transformando recursos naturais em conhecimento, tecnologias, produtos de maior valor agregado e empregos qualificados. Fortalecer o processamento nacional de minerais estratégicos, o desenvolvimento de materiais avançados, a fabricação de componentes e equipamentos e o domínio de tecnologias essenciais, com responsabilidade socioambiental e benefícios para as regiões produtoras.

b) Meta: Até 2030, ampliar o processamento nacional de minerais críticos e estratégicos, como lítio, nióbio e terras raras, a fabricação de componentes e a expansão de renováveis, armazenamento, biocombustíveis e hidrogênio de baixa emissão, com metas setoriais de P&D, agregação de valor, fornecedores nacionais e empregos qualificados definidas em 2027.

c) Instrumento: Implementação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e atuação do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, articuladas à Nova Indústria Brasil, ao Plano de Transformação Ecológica, ao FNDCT, à Finep e ao BNDES. Apoio à pesquisa em materiais avançados, à demonstração tecnológica, à produção industrial e à cooperação entre empresas e instituições científicas.

d) Prazo: 2027–2030, com definição de metas setoriais e projetos prioritários e acompanhamento dos investimentos e resultados.

e) Financiamento: Fundo Clima, Brasil soberano, FNDCT, Finep, BNDES, EMBRAPII, orçamento federal, incentivos e garantias previstos na legislação, investimentos privados e parcerias internacionais, com contrapartidas de desenvolvimento tecnológico, formação profissional, participação de fornecedores nacionais e agregação de valor no Brasil. Fundo garantidor para apoio ao setor, além de instrumentos de equity.

f) Campo livre: O Brasil reúne condições excepcionais para desempenhar um papel relevante na reorganização das cadeias produtivas mundiais, mas a abundância de recursos naturais, por si só, não assegura desenvolvimento. É necessário transformar essas riquezas em conhecimento, capacidade tecnológica, produção industrial e melhores condições de vida.

Buscaremos cooperação e investimentos internacionais que agreguem valor no Brasil, gerem empregos e contribuam para o domínio de tecnologias estratégicas. Diversas iniciativas foram adotadas para apoiar o desenvolvimento da cadeia de minerais críticos e terras raras. Entre elas estão a criação de fundos de investimento, os editais conjuntos do BNDES e da Finep e a destinação de recursos do Fundo Clima, do Brasil Soberano e de outros instrumentos de apoio à inovação. Além disso, o governo aprovou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) que cria um novo marco para o setor no país.

Nosso compromisso é superar a condição de fornecedor de matérias-primas, ampliando o processamento de lítio, nióbio e terras raras e o desenvolvimento de materiais, componentes e equipamentos, com a política mineral integrada à pesquisa, à engenharia e à formação de profissionais.

A transição energética é também uma oportunidade de reindustrialização. Com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, estimularemos tecnologias nacionais em energia solar e eólica, armazenamento, biocombustíveis, combustível sustentável de aviação, hidrogênio de baixa emissão e descarbonização industrial, para que o Brasil produza também os equipamentos utilizados no mundo.

A Finep e o BNDES articularão recursos não reembolsáveis, subvenção, crédito, garantias e capital, fortalecendo a cooperação entre empresas, universidades e institutos de pesquisa.

A exploração dos recursos estratégicos deverá respeitar critérios científicos, ambientais e sociais rigorosos, considerando os impactos sobre os territórios, a biodiversidade e as comunidades, e seus benefícios devem alcançar as regiões produtoras.

O objetivo é transformar nossas vantagens naturais em capacidades tecnológicas e industriais duradouras. O apoio do BNDES e da Finep para biocombustíveis foi de R$ 21,9 bilhões (2023 a ago 2026), mais de 370% que os quatro anos anteriores ao governo do presidente Lula.

Questão 10 — Brasil: futuro e transformações estruturais

Pergunta da SBPC e ABC: Que Brasil seu governo pretende entregar às próximas gerações? Quais indicadores serão utilizados para medir esse legado e quais três transformações estruturais pretende iniciar para construir esse projeto de país?

Resposta— Lula & Alckmin 2026:

a) Compromisso: Construir um Brasil soberano, democrático, desenvolvido e socialmente justo, em que o crescimento se traduza em melhores condições de vida, ampliação de direitos e oportunidades para as próximas gerações. Promover três transformações estruturais: colocar a educação, a ciência e o conhecimento no centro do desenvolvimento; modernizar a economia com inovação, sustentabilidade e empregos qualificados; e reduzir as desigualdades sociais e regionais, fortalecendo a democracia, a proteção social e uma cultura de respeito, igualdade e valorização da diversidade.

b) Meta: Até 2030, elevar o investimento nacional em pesquisa e desenvolvimento e avançar nos indicadores de aprendizagem, permanência e conclusão escolar, produtividade, inovação, emprego qualificado, renda, redução da pobreza e das desigualdades, sustentabilidade ambiental e enfrentamento da violência contra as mulheres, com metas verificáveis e acompanhamento público dos resultados.

c) Instrumento: Planejamento territorial e articulação das diferentes dimensões da soberania. Plano Nacional de Educação, Pé-de-Meia, expansão da rede federal de ensino, fortalecimento das universidades e instituições científicas, FNDCT, Finep, Nova Indústria Brasil, Novo PAC, políticas de proteção social, Plano Clima e Pacto Brasil contra o Feminicídio, articulados à cooperação entre União, estados, municípios e sociedade.

d) Prazo: 2027–2030, com prioridades e indicadores definidos e continuidade das ações estruturantes para além do mandato.

e) Financiamento: Orçamento federal, fundos públicos vinculados à educação, ciência e desenvolvimento social, FNDCT, Finep, BNDES e investimentos públicos e privados mobilizados pelas políticas de desenvolvimento.

f) Campo livre: O Brasil que queremos entregar às próximas gerações deve ser um país em que o lugar de nascimento, a renda da família, a cor da pele ou o gênero não determinem as oportunidades de uma pessoa. Um país que ofereça educação de qualidade, trabalho digno, segurança, direitos e liberdade para que cada brasileiro possa construir seu próprio futuro. Esse é o sentido mais profundo de um projeto nacional de desenvolvimento: não apenas melhorar as condições de vida no presente, mas transformar as estruturas que, durante gerações, limitaram as possibilidades de milhões de brasileiros.

A primeira transformação é colocar a educação, a ciência e o conhecimento no centro do desenvolvimento, para que toda criança aprenda, os jovens concluam sua formação e as universidades e instituições científicas tenham condições estáveis para produzir conhecimento.

A segunda é construir uma economia produtiva, tecnologicamente avançada e ambientalmente sustentável, que transforme riquezas naturais e capacidade científica em indústria, inovação e empregos de qualidade, distribuindo seus benefícios entre regiões e pessoas.

A terceira é enfrentar as desigualdades, fortalecendo a democracia, a proteção social e o respeito aos direitos e à diversidade, para que as mulheres vivam sem violência e as diferenças regionais não definam o acesso à educação, à saúde, à segurança e ao trabalho.

A soberania nacional é um eixo que liga política externa, defesa, ciência, tecnologia, energia, minerais e economia digital, diante de um cenário de tensões geopolíticas e de disputa por cadeias de suprimento. Transformações dessa dimensão não se completam em quatro anos. Por isso, continuaremos a acompanhar publicamente indicadores como o investimento em educação e pesquisa, a alfabetização na idade certa, a conclusão do ensino médio e superior, a produtividade, a renda, a pobreza e o índice de Gini, as emissões e o desmatamento e as taxas de homicídios e feminicídios.

O maior legado não será um conjunto de obras, mas um país com instituições mais fortes, pessoas mais preparadas e confiança na capacidade de seu povo de construir uma sociedade mais justa, menos desigual e que valorize suas riquezas sem comprometer o futuro.

Coordenação Lula-Alckmin

Acesse o Observatório das Eleições 2026 neste link.

Jornal da Ciência