O 8 de março não é uma data comercial. Não nasceu para flores, cartões ou discursos vazios. O Dia Internacional de Luta das Mulheres é fruto da organização e da resistência das trabalhadoras que, desde o final do século XIX e início do século XX, enfrentaram jornadas exaustivas, salários miseráveis e condições desumanas nas fábricas.
É um dia de memória, de denúncia e de mobilização. É um dia que reafirma que cada direito conquistado pelas mulheres foi resultado de luta coletiva e nenhum deles veio como concessão espontânea dos poderosos.
No Brasil, os direitos das mulheres são extremamente recentes quando analisamos a longa história de exclusão e silenciamento.
Direitos fundamentais são frutos de décadas de mobilização: a ampliação da licença-maternidade, a proibição da diferença salarial por motivo de sexo, a tipificação do assédio sexual, a criação de mecanismos de enfrentamento à violência doméstica, como a Lei Maria da Penha, e o reconhecimento do feminicídio como crime hediondo. Cada uma dessas conquistas exigiu organização, pressão popular, atuação sindical e presença ativa das mulheres nos espaços de decisão.
É nesse contexto que o movimento sindical sempre teve papel central. As trabalhadoras organizadas nas categorias foram e continuam sendo protagonistas na defesa de salários dignos, condições justas de trabalho, combate ao assédio moral e sexual, e igualdade de oportunidades. No âmbito do setor de Ciência e Tecnologia, as mulheres são pesquisadoras, técnicas, servidoras administrativas, gestoras e cientistas que sustentam, com competência e compromisso, a produção de conhecimento estratégico para o país. Ainda assim, enfrentam desigualdade salarial, menor acesso a cargos de chefia e sobrecarga decorrente da dupla ou tripla jornada.
ATENÇÃO: Nenhum direito está garantido para sempre!
Vivemos tempos em que governos de orientação direitista, comprometidos com agendas ultraliberais, colocam em risco direitos históricos da classe trabalhadora. A retirada de garantias sociais, a flexibilização de direitos e o enfraquecimento da negociação coletiva fazem parte de um projeto que atinge homens e mulheres — mas impacta de forma ainda mais cruel as mulheres, que já ocupam posição estruturalmente mais vulnerável no mercado de trabalho.
Um exemplo recente é o que ocorre na Argentina, sob o governo do presidente Javier Milei. Medidas implementadas têm promovido forte desregulamentação trabalhista, com retirada de direitos historicamente assegurados e ampliação da jornada de trabalho, chegando a 12 horas em determinados contextos, além de mudanças que fragilizam garantias como férias e estabilidade. Trata-se de um alerta claro: quando direitos deixam de ser defendidos, são rapidamente desmontados.
A história mostra que retrocessos acontecem. O que foi conquistado com décadas de mobilização pode ser atacado em poucos meses por governos que tratam direitos como “entraves” ao mercado. Por isso, a luta das mulheres nunca deve parar. Ela precisa ser permanente, vigilante e coletiva.
Além disso, o mundo ainda enfrenta uma realidade brutal: os crimes de feminicídio seguem crescendo em diversos países. Mulheres continuam sendo assassinadas simplesmente por serem mulheres. A violência doméstica, o assédio, o estupro e as múltiplas formas de agressão ainda fazem parte do cotidiano de milhões. Não há democracia plena enquanto mulheres não puderem viver sem medo.
O combate à violência de gênero exige políticas públicas robustas, orçamento adequado, fortalecimento dos serviços de acolhimento e responsabilização efetiva dos agressores. Exige também mudança cultural, educação para a igualdade e enfrentamento decidido ao machismo estrutural.
Neste 8 de março, o SindCT reafirma seu compromisso histórico com a defesa intransigente dos direitos das trabalhadoras. Lutamos por igualdade salarial, por condições dignas de trabalho, por ambientes livres de assédio, por respeito à maternidade, por oportunidades iguais de ascensão profissional e por políticas públicas que reconheçam as especificidades das mulheres no mundo do trabalho.
Parabenizamos todas as mulheres! As que resistem, as que organizam, as que denunciam, as que constroem diariamente um serviço público de qualidade e um país mais justo. Vocês são força, inteligência e transformação.
Que este 8 de março seja, mais do que uma data simbólica, um chamado à mobilização permanente. Que cada mulher saiba que não está sozinha. Que cada direito seja defendido com firmeza. E que a luta siga viva, nas ruas, nos locais de trabalho, nos sindicatos e em todos os espaços onde se constrói democracia.
O SindCT convida todas e todos para participarem do evento em homenagem às mulheres promovido pela ADC/INPE, que será realizado no dia 10 de março, às 8 horas, na Biblioteca do INPE. Será um momento de celebração, reflexão e fortalecimento da nossa união.
Seguimos juntas e juntos. Pela igualdade. Pela justiça. Pela vida das mulheres.

O silêncio também mata!
No dia 07 de março, às 09h, vamos nos reunir na Praça do Sapo, em São José dos Campos, para transformar dor em mobilização.
A violência contra a mulher não é um problema individual. É responsabilidade de todos nós.
Sua presença é apoio.
Seu compartilhamento pode salvar uma vida.
Sua voz faz a diferença.
Participe. Convide. Compartilhe.
