Quem realmente é Ricardo Salles
Quem realmente é Ricardo Salles

Quem realmente é Ricardo Salles

Ricardo Salles, que já foi filiado ao DEM e ao PSDB, está agora filiado ao partido NOVO. Foi secretário do Meio Ambiente do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, e secretário pessoal do próprio tucano. Em seu currículo consta ainda ser ex-diretor jurídico da Sociedade Brasileira Rural, que atua na representação política em defesa da agropecuária através de organizações e instâncias governamentais que tratam dos interesses dos seus associados, atuando junto aos três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

Salles também foi candidato a deputado federal na última eleição. Sua campanha sugeria o assassinato de sem-terras e de pessoas de esquerda de maneira explícita. Seus panfletos traziam um selo de “tolerância zero” e prometiam “segurança no campo”, em um claro apoio aos latifundiários, usando a imagem de uma munição de revólver como solução.

Em 2018, foi condenado em primeira instância por fraude ambiental. A acusação do Ministério Público é que Salles, enquanto secretário do Meio Ambiente de Alckmin, fraudou mapas de um decreto para beneficiar empresas que atuam na várzea do Rio Tietê.

Em 2019, Salles foi alvo de um pedido de impeachment. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES), que preside a Comissão de Meio Ambiente do Senado, enviou ao Supremo Tribunal Federal um pedido de afastamento do ministro Ricardo Salles por crime de responsabilidade. Contarato afirmou, também, que Salles perseguiu agentes públicos a pedido de ruralistas.

Durante uma reunião com ruralistas em abril de 2019, Salles fez ameaças explícitas contra funcionários do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Ele disse que processaria os agentes por não terem ido ao encontro. O tal encontro foi realizado num sábado, fora do horário de expediente e os servidores sequer haviam sido convidados. A ameaça foi filmada.

Como é praxe no governo Bolsonaro, Salles também já mentiu no currículo. Em artigo de defesa das privatizações, publicado na Folha de S. Paulo em 2012, colocou em sua minibiografia, ao final do texto, que era mestre em direito público pela Universidade de Yale, nos Estados Unidos. O título, foi desmentido pelo site The Intercept.

E mentir é algo que Salles gosta muito de fazer. Tanto que usou imagens da Mata Atlântica em vídeo para defender que a Amazônia não estava em chamas, como a imprensa alertava.

Salles também está sendo investigado por enriquecimento ilícito. De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o ministro teria acumulado R$ 7,4 milhões em cinco anos, quando ocupou cargos públicos no governo paulista, deixando de atuar como advogado. Em 2012, quando foi candidato a vereador de São Paulo pelo PSDB, o atual ministro declarou à Justiça Eleitoral um montante de R$ 1,4 milhão, divididos em aplicações financeiras, um automóvel, uma motocicleta e 10% de um apartamento.

Já em 2018, quando foi candidato a deputado federal pelo Partido Novo, declarou R$ 8,8 milhões em bens, com dois apartamentos de R$ 3 milhões cada um, um barco no valor de R$ 500 mil e R$ 2,3 milhões em aplicações, totalizando alta de 335% em cinco anos, com valor corrigido pela inflação.

O Ministério Público de São Paulo – MP quebrou o sigilo do ministro do Meio Ambiente e descobriu transferências milionárias entre contas controladas por ele. Uma reportagem da Revista Crusoé afirma ainda que as investigações do MP agora tentam avançar nas suspeitas de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. De acordo com as informações, Salles repassou R$ 2,75 milhões da conta de seu escritório de advocacia para a sua conta pessoal em 54 transferências, feitas entre 2014 e 2017.

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Autor

  • Fernanda Soares é jornalista profissional, formada há 25 anos. É responsável pelas publicações Rapidinha, Jornal do SindCT e pelo canal WebTVSindCT. Em 2012 recebeu o prêmio Beth Lobo de Direitos Humanos das Mulheres, oferecido pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, por sua cobertura da desocupação do Pinheirinho. É autora do livro “A solução Brasileira - História do Desenvolvimento do Motor a álcool no Brasil”, publicado e distribuído pelo SindCT, e de livros paradidáticos infantis, da editora Todolivro.