Rapidinha 7 – 06/08/2026
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Apresentação da primeira turbina a etanol do mundo em São José dos Campos reforça a excelência da ciência nacional e reacende o debate sobre a urgência de mais investimentos para C&T

A visita do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial – DCTA no dia 13 de julho de 2026, marca um momento histórico para a tecnologia aeroespacial brasileira. O Brasil tornou-se oficialmente o sexto país do mundo a dominar a produção de turbinas a gás e o pioneiro absoluto no desenvolvimento de um equipamento movido 100% a etanol.

Para o SindCT, o evento transcendeu a mera celebração de um marco tecnológico. Ele expôs a divergência entre a altíssima capacidade de entrega dos pesquisadores e a realidade de defasagem salarial e sucateamento das carreiras que esses mesmos profissionais enfrentam há anos.

O equipamento que atraiu a comitiva presidencial ao Instituto de Aeronáutica e Espaço – IAE é a turbia TR 5000, um turbogerador capaz de produzir 1000 kW de potência utilizando combustível renovável. Financiado com R$ 30 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT, o projeto é um trunfo para a soberania energética e de defesa do país.

Uma turbina de tal complexidade não é forjada apenas com orçamentos pontuais e chapas de metal. Ela é o resultado de décadas de dedicação de engenheiros, técnicos e pesquisadores altamente qualificados que compõem os quadros do DCTA e de suas instituições vinculadas, em parceria com a iniciativa privada. São profissionais que resistem ao assédio do mercado privado e do exterior, optando por permanecer no serviço público por idealismo e compromisso com o desenvolvimento nacional.

A recomposição das perdas salariais está sempre presente nas pautas apresentada ao governo anualmente, em todas discussões por reajustes salariais, nas mesas de negociação das quais o SindCT, atuando como secretaria-executiva do Fórum de C&T, participa.

As carreiras de C&T ficaram 6 anos sem reajuste salarial e sem recomposição do quadro de pessoal (governos Temer e Bolsonaro). Ao assumir novamente a Presidência, Lula concedeu reajuste emergencial a todo o funcionalismo e, posteriormente, uma negociação com os servidores garantiu reajustes por mais dois anos, com percentuais acima da inflação de todo seu governo.

Apesar dos reajustes salariais darem um novo fôlego aos servidores públicos, os salários ainda acumulam perda de poder aquisitivo, imposta pelos governos de direita.

A soberania tecnológica é incompatível com a precarização do trabalho. A falta de reposição de pessoal por meio de concursos públicos regulares está levando a um envelhecimento e diminuição da força de trabalho, não só no DCTA, mas em todas instituições de pesquisa do país.

A transmissão de conhecimento, vital em projetos de longo prazo como o da turbina a etanol, fica ameaçada quando não há renovação de pessoal. O investimento de milhões em infraestrutura e insumos perde eficácia se o Estado não investir na retenção de talentos.

No mesmo mês da visita ao DCTA, o Presidente Lula visitou a Avibrás, em Jacareí. Durante seu discurso, Lula afirmou que o Ministério da Defesa vai preparar novas encomendas para fortalecer a capacidade das Forças Armadas e garantir demanda para a indústria nacional. Segundo ele, o Brasil precisa investir em tecnologia e equipamentos para assegurar sua soberania e capacidade de defesa.

A Avibras produz artefatos que incluem mísseis, foguetes, veículos especiais e lançadores espaciais civis, com grande parte dessa tecnologia nascida no DCTA.

O mercado aeroespacial global é agressivo e as empresas privadas — muitas delas instaladas na própria região de São José dos Campos — oferecem salários e benefícios que o serviço público, engessado por anos de congelamento salarial em governos anteriores, tem dificuldade em equiparar.

Nos últimos anos, alguns concursos foram realizados, mas a reposição dos servidores ainda está longe de ser a ideal.

A visita de Lula ao DCTA entra para a história como o momento em que o Brasil mostrou ao mundo sua capacidade de unir transição energética (com o uso do etanol) à alta tecnologia aeroespacial.

O desafio agora do Governo Federal é aplicar essa mesma ousadia na gestão de pessoas. A turbina 100% a etanol já é uma realidade; falta o Governo garantir que as Instituições de Pesquisa e seus servidores possuam investimentos, melhores condições de trabalho e salários compatíveis com a complexidade dos projetos que desenvolvem.