INPE receberá recursos do Fundo Amazônia
INPE receberá recursos do Fundo Amazônia

INPE receberá recursos do Fundo Amazônia

Criado em 2008, paralisado e desestruturado durante o governo Bolsonaro e oficialmente retomado em 2023, no governo Lula, o Fundo Amazônia destinará R$ 147,6 milhões ao INPE.

O fundo é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Hoje tem nove doadores: Noruega, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Irlanda e Japão.

O anúncio do investimento oi realizado na última sexta-feira, quando foram anunciados os resultados do desmatamento na Amazônia, que apresentaram os menos dados desde 1988.

O montante será investido na aplicação e no desenvolvimento de tecnologias avançadas de inteligência artificial voltadas à prevenção e ao combate ao desmatamento.

O INPE utilizará essa inteligência artificial para acelerar os processos de detecção da perda da cobertura vegetal nativa. O objetivo central da iniciativa é prever e sinalizar, com antecedência, quais áreas territoriais enfrentam maior nível de ameaça de degradação, derrubada ou focos de incêndio.

A aplicação da tecnologia se dará por meio de técnicas especializadas de aprendizado de máquina (machine learning). Com o treinamento dos algoritmos, baseado em milhares de dados e exemplos previamente mapeados e classificados pela equipe de pesquisadores do instituto, o sistema automatizado passará a reconhecer visualmente o padrão exato de uma clareira recém-aberta na floresta, de uma área de mata que tenha perdido parte de suas árvores ou das cicatrizes deixadas por queimadas. Dessa forma, o projeto estabelece a automação completa da análise das imagens capturadas e a subsequente emissão ágil dos alertas.

Caso o cronograma e as entregas previstas no projeto sejam devidamente cumpridos dentro dos prazos estabelecidos, o Brasil chegará ao final da presente década com uma infraestrutura capaz de mensurar a perda da vegetação nativa em todos os biomas nacionais praticamente em tempo real.

Além disso, o sistema terá a capacidade preditiva de indicar onde o desmatamento tende a ocorrer no curto prazo. Contudo, a efetiva transformação desses alertas preventivos em ações concretas de proteção continuará a depender da capacidade operacional dos órgãos encarregados da fiscalização em campo.

Após um período de duros cortes no orçamento, o INPE vem empreendendo esforços contínuos em busca da recomposição do seu orçamento institucional, para não apenas sustentar sua estrutura de funcionamento, mas também expandir e aprimorar suas tecnologias de monitoramento. Esse processo de recomposição financeira teve início no atual governo Lula, em 2023, ano em que a verba do instituto foi elevada para R$ 129 milhões.