A diretora do SindCT, Regla Somoza, participou do 13º Encontro Nacional de Fé e Política, realizado dias 24, 25 e 26 de abril em São Bernardo do Campo/SP. Regla, com outros servidores da nossa base sindical, integrou uma comitiva de 25 delegados de São José dos Campos. A presença do SindCT marcou a atuação da entidade no evento, que reuniu representantes de diversas organizações e movimentos sociais em torno do eixo “Fortalecer a Democracia, o Esperançar e o Bem Viver”. O encontro se consolidou como um espaço de reflexão e articulação entre espiritualidade, militância e serviço público, com foco na reconstrução democrática e na promoção da justiça social.
Ao longo da programação, o evento abordou a relação entre valores éticos e prática administrativa como elemento essencial para o fortalecimento das instituições. Para o SindCT, a participação representou uma oportunidade de reafirmar o papel estratégico das instituições de Ciência e Tecnologia na defesa dos direitos humanos, ambientais e na promoção da equidade. As discussões destacaram a necessidade de integrar o conhecimento técnico-científico às demandas sociais, especialmente em um contexto de crise socioambiental e desafios democráticos.
A abertura contou com a participação das ministras Marcia Lopes, do Ministério das Mulheres, e Marina Silva, do Meio Ambiente. Marcia Lopes ressaltou a política como instrumento fundamental para a construção da paz e destacou a atuação do ministério no enfrentamento ao machismo e à misoginia. Segundo ela, o protagonismo feminino nas instâncias de decisão é essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes e inovadoras, voltadas à superação de violências estruturais, como o feminicídio.
Marina Silva, por sua vez, associou democracia ao conceito de bem viver, defendendo modelos de desenvolvimento que integrem sustentabilidade, políticas públicas e saberes dos povos originários. Ela enfatizou que a sustentabilidade deve ser compreendida como base de uma nova economia, capaz de enfrentar a fome e promover equilíbrio ambiental. A ministra também relembrou experiências históricas de resistência na Amazônia, destacando a importância da atuação institucional na proteção dos biomas.
Outro destaque foi a participação de Frei Betto, que trouxe uma reflexão sobre o papel do gestor público. Ao abordar o significado da palavra “ministro” (do latim “minos”, cujo significado é menor), explicou que o papel do gestor é atuar em favor dos mais vulneráveis, como o próprio nome do cargo recomenda. Ele também enfatizou a necessidade de retomar o trabalho de base com juventudes e periferias, como forma de fortalecer a democracia e evitar retrocessos. Para ele, a participação popular e a organização social são fundamentais para manter viva a prática democrática.
Na plenária final, Chico Whitaker apresentou uma análise crítica sobre as distorções da democracia brasileira, chamando atenção para a necessidade de maior vigilância sobre o Poder Legislativo. Ele destacou a importância da mobilização social e do fortalecimento de mecanismos de controle popular, citando experiências como a Lei da Ficha Limpa como exemplos de conquistas da sociedade civil.
A participação do SindCT também se destacou pela articulação com movimentos sociais e pastorais de São José dos Campos, incluindo a Comissão de Fé e Política da Diocese, a Pastoral Afro, os Vicentinos e as pastorais da Saúde e da Criança. Houve ainda diálogo com o Movimento das Pessoas em Situação de Rua, reforçando a importância da integração entre ciência, serviço público e demandas das populações mais vulneráveis.
Ao final do encontro, as reflexões apontaram para a necessidade de atuação ativa dos servidores públicos diante dos desafios democráticos e socioambientais. Para o SindCT, o evento reforçou o compromisso com a construção de um projeto de nação baseado na equidade, na sustentabilidade e na inclusão social. A entidade destacou que a defesa do serviço público está diretamente ligada à defesa dos direitos das populações mais impactadas pelas crises atuais.
Como encaminhamento, o sindicato reafirmou seu papel na promoção de uma atuação técnica comprometida com a justiça social, climática e racial. O fortalecimento da democracia, segundo as conclusões do encontro, depende da articulação entre ciência, política e participação social, com foco na construção de um futuro mais justo e inclusivo.





